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Última atualização:17 de dezembro de 2018,
às 06:19

Calote motivou informante a inventar ritual satânico para justificar morte de crianças no RS, diz polícia

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ImprimirReportar erroTags:ressalta, verdadeiras, validadas, repassadas, falsas, ainda, ano e crime871 palavras13 min. para ler
Calote motivou informante a inventar ritual satânico para justificar morte de crianças no RS, diz polícia - PolíciaVer imagem ampliada
Homem identificado como Paulo foi o responsável por convencer testemunhas a mentirem. Ele havia recebido mais de R$ 20 mil para limpar terreno de uma das pessoas que havia sido presa injustamente, e como não realizou o serviço, queria tirar o proprietário do local de circulação.




A Corregedoria-Geral da Polícia Civil (Cogepol) do Rio Grande do Sul detalhou alguns pontos sobre a investigação falha que culminou na prisão de sete inocentes, que eram suspeitos de um falso ritual satânico com a morte de duas crianças em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Conforme a polícia, um calote motivou o informante do delegado Moacir Fermino, indiciado por crimes cometidos durante o curso da investigação, a forjar testemunhas para incriminar pessoas que não tinham ligação com o caso.


"Existe nos autos uma situação que envolve esse informante. Ele teria sido subcontratado para fazer a limpeza de um terreno de uma das pessoas presas, e esse serviço não foi prestado. Ele recebeu o valor e não executou o serviço. Isso nos leva a crer que esse seja um elemento preponderante", afirma o delegado Antonio Lapis, da Delegacia de Feitos Especiais da Cogepol.

O objetivo dele era tirar de circulação uma das pessoas que haviam sido presas injustamente pelo delegado Moacir Fermino. Essa pessoa havia comprado um terreno e contratado outro homem para realizar a limpeza do local. Esse homem, não identificado, subcontratou o informante para fazer o trabalho.

Chamado apenas de Paulo pelos policiais, que não deram mais detalhes sobre sua identidade, o informante recebeu antecipado mais de R$ 20 mil para fazer a limpeza, mas não realizou o serviço. Com isso, o homem que acabou preso injustamente cobrou que fosse feita a limpeza do terreno, o que gerou desconforto de Paulo, que tramou para incriminá-lo, junto a outras pessoas.

Parte do pagamento foi feito com um Chevette. O carro, no entanto, seria revendido ao intermediário do serviço. O valor referente ao veículo, porém, também não foi pago, sob a alegação que a limpeza do terreno não foi feita.

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"O Paulo tinha essa rixa com a questão do terreno. Era um serviço em torno de R$ 20 e tantos mil e que não foi executado. Por isso algumas dessas pessoas foram inseridas dentro desse contexto", conta o delegado Lapis




Para incriminar o desafeto, Paulo coagiu três testemunhas a prestarem depoimentos falsos à polícia. Amigo de longa data do delegado Moacir Fermino, ele fez com que essas pessoas colocassem a culpa da morte das crianças em um suposto ritual satânico, que não aconteceu. Como recompensa, elas seriam incluídas no Programa Protege, que dá assistência – inclusive financeira – a testemunhas ameaçadas.

"Existia a questão do oferecimento, que na cabeça deles era em torno de R$ 3 mil, e eles ficariam em uma casa com tudo pago. Então esse era o contexto que o Paulo trazia para as testemunhas. Só que, na prática, o sistema de proteção às testemunhas não é R$ 3 mil a ajuda de custo, é muito menos. Então, isso também movia de alguma forma o Paulo dentro da criação dessa história", descreve o delegado.

Por esse crime, o informante foi preso em fevereiro deste ano, e acabou indiciado quatro vezes por corrupção de testemunhas.

Ainda de acordo com a polícia, todas as informações falsas eram repassadas pelo Paulo e validadas pelo delegado Fermino, mesmo que não fossem verdadeiras. O que importava para eles era que as pessoas que haviam sido presas injustamente não fossem soltas. "As investigações continuaram mesmo com divergências gritantes acontecendo", lamenta Lapis.

Já o delegado Moacir Fermino teve três indiciamentos por falsidade ideológica e outros quatro por corrupção de testemunhas. Ele está afastado das funções desde fevereiro, e a Cogepol chegou a pedir a prisão do delegado, o que foi negado pelo Judiciário.

Para Lapis, Fermino buscava uma ascensão religiosa, e isso pode tê-lo motivado a concordar com as informações fornecidas por Paulo. "Ele é pastor de uma igreja e, dentro desse universo, acaba trazendo uma questão de status", relata o delegado. 

m depoimento à polícia, Fermino negou a hipótese. Ele disse que simplesmente acreditou na história repassada pelo informante e buscou elementos para comprovar a tese. "Foi um depoimento longo, em que muitas vezes ele não respondia ao que estávamos perguntando", afirma o delegado Lapis.

No entanto, a polícia anexou aos autos do inquérito um livro apreendido na casa do delegado Fermino que trata sobre rituais satânicos e a realização de uma seita. De acordo com o delegado Bruno Pitta, também da Delegacia de Feitos Especiais da Corregedoria, havia vários trechos marcados que coincidem com relatos das testemunhas às autoridades.


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"A equipe constatou semelhanças em diversos trechos da narrativa com aquilo que foi narrado para nós no depoimento das testemunhas", diz.






O delegado Lapis confirmou que jamais havia trabalho em um caso parecido com esse, mas que o objetivo da polícia era apresentar um trabalho técnico para descobrir a verdade.

"Acredito que com todo esse trabalho que foi realizado a gente conseguiu demonstrar o que aconteceu. Tínhamos essa preocupação de dar esse retorno para a sociedade, de que a Polícia Civil é um órgão técnico, que trabalha com a verdade, e que é transparente. Existem problemas, sim, e quando eles acontecem são atacados e enfrentados pela própria instituição", ressalta.

Fonte:G1 RS
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