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Última atualização:9 de dezembro de 2019,
às 10:49

Leandro Boldrini acusa Graciele e Edelvânia de matarem Bernardo#

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Leandro Boldrini acusa Graciele e Edelvânia de matarem Bernardo - GeralVer imagem ampliada
Defesa do pai do menino vai pedir a anulação do julgamento

"Quando tirarem essas algemas de mim, a primeira coisa que eu vou fazer é ir até Santa Maria e rezar onde está enterrado meu filho”, declarou Leandro Boldrini durante o terceiro dia do julgamento do Caso Bernardo, no Fórum de Três Passos. Pai da vítima e um dos acusados pela morte do menino, ele foi primeiro réu a ser ouvido no júri popular, em um depoimento que durou mais de três horas e meia. Durante suas respostas, o médico, após recomendação de seus advogados, falou sempre de frente para os jurados e disse que não mandou matar Bernardo. "Foi a Graciele (Ugulini, madrasta) e a Edelvânia (Wirganovicz, amiga de Graciele) que mataram meu filho.”


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Durante suas respostas, Leandro Boldrini intercalou diversas vezes a frase "senhores jurados”, falando sempre de frente para o júri popular. O réu também variou suas reações, por vezes respondendo lentamente aos questionamentos e em outras inclusive levantando para demonstrar algumas situações. Em uma delas, narrou a situação em que, após ser preso, Graciele teria lhe admitido ser responsável pela morte de Bernardo. Declarando-se inocente, ele disse aos promotores que tomou conhecimento de que o filho havia morrido somente no dia 14 de abril de 2014, quando o corpo foi encontrado.

O acusado foi diversas vezes questionado sobre como era a sua relação com Bernardo. Ele admitiu ser um pai ausente, mas com a justificativa de que seu trabalho não lhe permitia ter muito tempo para o filho. "A profissão de médico, de cirurgião, requer uma dedicação em tempo integral. Pode ser por esse motivo que eu fosse um pai mais provedor do que um pai presente”, relatou Boldrini. O réu também concordou com as afirmações de que Bernardo costumava dormir na casa dos amigos, mas que o contrário não costumava acontecer. "O Bernardo decidia a agenda dele”, disse.

Ao falar sobre a relação de sua mulher, Graciele Ugulini, com o menino, Boldrini disse que ela não chegou a mencionar que Bernardo seria um "estorvo” para o núcleo familiar, mas confirmou que existiam atritos entre os dois. Durante essas respostas, ele comentou os vídeos registrados por ele mostrando as brigas da família com o garoto. As imagens foram amplamente divulgadas e mostram, por exemplo, o garoto com uma faca pedindo para o pai parar de gravá-lo. Segundo Leandro Boldrini, o objetivo das gravações era conciliar Bernardo e a madrasta. "Eu queria que eles se acertassem”, disse. Ele ainda disse que após esse registro tomou a decisão de encaminhar a criança a um psiquiatra. "Melhorou 100%”, garantiu o réu.

Boldrini ainda procurou mostrar que, ao contrário de algumas acusações, havia tentado se aproximar de Bernardo. "Combinei com ele que, como o final de semana tinha dois dias, ele poderia curtir o sábado na casa do amigo que preferisse, mas que domingo passaríamos juntos”, disse. Foi questionado, então, como foi sua postura quando o menino desapareceu. Contou que iniciou uma "maratona de ligações” e foi novamente indagado do motivo pelo qual teria ido trabalhar normalmente na segunda-feira, três dias depois do desaparecimento. "Eu estava no hospital crente de que `ah, ele vai estar no colégio, está me pregando uma peça`", disse. Afirmou, no entanto, que, quando soube que a polícia trabalhava com a possibilidade de morte, sentiu "um arrepio”.

"Ele era integrante da família. Não era um estorvo. Senhores jurados, não era um estorvo", disse Leandro Boldrini durante o depoimento. Um dos pontos trazidos durante os questionamentos foi sobre a primeira comunhão de Bernardo, que Leandro não compareceu. Segundo o médico, o menino só lhe avisou da data alguns dias antes, quando ele já havia marcado de ir a um casamento com Graciele. "Ele teria que ter a responsabilidade de me avisar mais cedo", justificou. Ao final da sessão, o médico se declarou inocente e disse que não se preocupa em como reconstruirá a vida se for absolvido, que vai trilhar seu caminho de volta em Três Passos, pois essa "cruz” não se compara à perda do filho.

Possibilidade de anulação do júri movimenta fim de depoimento

O julgamento do Caso Bernardo corre o risco de ser anulado após um episódio ocorrido na sessão desta quarta, durante o depoimento do réu Leandro Boldrini, no Fórum de Três Passos. Em meio aos questionamentos do Ministério Público (MP), a defesa do acusado interrompeu e orientou seu cliente a parar de responder às perguntas. A acusação, então, continuou perguntando ao pai da vítima, que permaneceu sentado, em silêncio. Ao final, seus representantes argumentaram que a continuidade do interrogatório gerava constrangimento e prejudicava a avaliação do júri popular. A possibilidade de nulidade foi registrada à juíza Sucilene Engler e poderá ser utilizada ao final do julgamento, caso Boldrini seja condenado.

Leandro Boldrini respondeu aos questionamentos dos primeiros promotores, Bruno Bonamente e Silvia Jappe, sem interrupções de seus advogados. Durante as perguntas de Ederson Vieira, que por vezes se mostrou mais incisivo, os representantes do réu disseram que a acusação estava faltando com a educação e orientaram ao pai de Bernardo que permanecesse em silêncio. O médico, a partir daí, silenciou. Para a defesa, no entanto, a continuidade violava o direito do acusado permanecer em silêncio e prejudicava o júri, que poderia entender que, ao não responder, Boldrini estivesse confessando.

Ao tentar, sem sucesso, que a juíza não consignasse as perguntas, a defesa citou decisões precedentes em que o julgamento foi anulado em função disso. O júri, no entanto, segue normalmente. Ao final, esse registro feito pela defesa, pode ser utilizado para pedir a anulação do júri. Se a magistrada negar, o pedido será submetido ao Tribunal de Justiça e, se for atendido, em tese, todo o julgamento precisaria ser feito novamente. A questão tumultuou os ânimos no final da sessão.

Correio do Povo 

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